Atuamos como curadores e na gestão de design de interação. O conteúdo foi delimitado em um percurso de cinco módulos: vida do autor, oralidade, danças, alimentação no Brasil e religiosidade. Em seguida, aplicamos a ferramenta de criação de Personas.
As personas foram desenhadas como indivíduos únicos e vivos, não apenas categorias abstratas. A proposta foi construir histórias de pessoas de verdade: com aspectos físicos, interesses, gêneros, raças, idades e vivências. Seis perfis detalhados foram criados a partir desses contextos.
Tínhamos, por exemplo, o Neymar, um garoto de 9 anos que foi com sua turma da escola para o museu. Ele preferia jogar bola, mas se encantou ao chegar porque podia correr e pular no espaço sobre danças brasileiras, além de descobrir, lendo o texto, a origem do Saci, o personagem que ele amava na TV. E o Senhor Gildo, doutor em Antropologia pela USP, com interesse na obra de Cascudo. Ele se surpreendeu com os textos que escorriam das máquinas de escrever, mas também se divertiu com os pratos falantes que narravam as origens da alimentação no Brasil.
O método garantiu que a exposição fosse desenhada em camadas de interesse concomitantes. O percurso equilibrava elementos lúdicos, como um labirinto de livros e um jogo da memória sobre a origem dos alimentos, e espaços de reflexão, como a montanha de sal grosso que materializava os estudos sobre a fé. O método permitiu que múltiplos níveis de informação dividissem o mesmo espaço físico, respeitando o tempo de recepção de cada olhar.